Posted on dez-16-2009
O que se espera de uma trilogia? 3/3
Continue lendo nossa trilogia ou veja como isto começou …
Sim, amigos (se é que posso chamá-los assim), uma extraterrestre. Ela vinha do planeta Estúpidos, e seu povo, milhões de vezes mais inteligente que os terráqueos, pretendia dominar nosso planeta. Pensei em perguntar se eles não tinham medo do Jaspion, mas estava tão atônito que a voz recusava-se-me a sair. Ela contou-me que assumira a forma de uma mulher bela e atraente para seduzir algum terráqueo importante a facilitar-lhe a tarefa. Mas alguma coisa saíra errado na mutação e ela se tornara aquilo que eu estava vendo. Como não podia voltar à nave de mãos abanando, pretendia levar-me para que eles fizessem algumas experiências. Sabe, como em macacos.
A todos que hoje agradecem por ter olhos e ouvidos perfeitos o meu respeito, mas naquele momento eu preferia não os ter. Estava tão espantado que não podia me mover. Não sabia se sentia ódio ou amor por aquela estranha cri
atura.
De repente, ela começou a esverdear. Imaginei que era por causa da bebida mas ela não vomitou. Além disso, brotaram algumas escamas, nasceram longas asas e apareceram antenas. De certa forma fiquei tranqüilizado, pois não queria que ela vomitasse em cima de mim. Mas comecei a me preocupar quando vi a arma laser em sua mão.
- Venha comigo pacificamente, terráqueo, ou será eliminado.
- Nunca! – respondi. – O meu planeta pode ter injustiças, mas é tudo o que eu tenho. Não, não irei com vida. Lutarei até o fim pelo meu povo. Mesmo que seja difícil, mesmo que eu tenha apenas a mais remota chance de vencer, continuarei lutando. Sim, pois, neste momento, em algum ponto da Terra, uma mãe está ganhando um beijo de seu filho. Neste momento, alguma formiga está levando uma folha seis vezes maior que si ao formigueiro para alimentar suas companheiras. Neste momento, alguém no mundo sente o amor que eu senti por você alguns minutos atrás, e isso me fará lutar. Nem que tenha de morrer, lutarei. Por todas as pequenas causas, por todos os animais as plantas… pelo mundo de Marlboro, pela emoção pra valer, pela liberdade, pelo espírito da América… não. Nenhum extraterrestre, nenhum comunista irá tirar a liberdade de meu planeta. Nunca!
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A criatura se distraiu, de saco cheio da minha conversa, e senti que era a minha chance. Num vôo de águia, saltei em suas mãos e tomei-lhe a pistola laser, indo cair, depois de três cambalhotas (sem exagero, três cambalhotas!), de joelhos num canto do bar com a cabeça do monstro bem em minha mira.
Nova metamorfose começa a se processar. O alienígena vai se tornando novamente Amanda. Linda, ela chorava e pedia-me perdão. Minhas mãos começaram a tremer e tive medo de não ter forças para terminar minha missão. O destino da Terra em minhas mãos trêmulas. Ouço, no balcão o barulho de uma garrafa de coca-cola sendo aberta. Nova energia toma conta de meu corpo. Sorrio e atiro, destruindo fulminantemente a ameaçadora criatura.
- Sim, baby. Você nunca entenderá a liberdade. Talvez no seu planeta isso não exista, mas na América nós sempre seremos livres.
Joguei o Marlboro que fumava no chão e apaguei a bituca com meu tênis Alstar. Os restos de Amanda se desintegraram devagar, sumindo, afinal para sempre. Terminei de tomar minha tônica Schweps e saí caminhando a passos curtos, certo de que o sofrimento que sentiria dali em diante valeria a pena. Pela liberdade.
Esta é minha história triste, meus amigos, podem acreditar. Minha ruína. Posso apostar o destino de minh’alma como cada palavra do que escrevi nesta confissão é verdade. E peço às pessoas que lerem esta carta final que me perdoem por tão vil ato contra o amor. A minha punição já consegui, com estes vinte pesados anos de sofrimento que me atormentaram desde então.
Deixo este mundo a vocês, leitores, que já me vou para junto de minha amada Amanda. Não posso mais conviver com o peso do sofrimento e da culpa. Deixo apenas este conselho para os amantes: sejam felizes, pois a dor da separação é maior que qualquer outra.
Estou indo, Amanda.
Ninguém mais poderá me salvar.
Adeus, amantes de todo o mundo.
Perdoem-me.
E U T E A M O A M A N D A
O que acharam? Comentem … e vejam como isso tudo começou.





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